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o fim do fim e de como tudo rola devagar

tudo leva muito tempo tudo anda devagar como na 2ª circular pela manhã nada se pode decidir tudo a conta gotas nada se pode fazer de uma vez, porque tudo é a conta gotas, e as pessoas não têm tempo, não têm vontade, não têm pressa, receiam que em fazendo os pendentes não sobre mais nada com que encher o tempo mas o tempo está sempre cheio e os fins tardam, adiam-se, fechamos-lhes as portas, aos fins, como se não entrassem pelas janelas, pelas frinchas, pelos buracos que esquecemos de propósito para entrar o ar, o sol, a luz resta sempre a sensação de algo por fazer, algo que se esqueceu, algo em que se falhou ou não se foi tão bom, tão célere, tão competente como se podia, tão eficaz e fica a sensação de uma bola no estomago, que não se dissolve, que não abala nem rebola às vezes é preciso chegar ao fim, ainda que seja um fim atrasado, adiado, ainda que imperfeito, ainda que inacabado. um fim pode ser inacabado, pode ser incompleto, pode ele próprio não encontrar o seu fim o...
a pessoa não acredita que há inveja e que esta não pode ser a força motriz da acção humana, qualquer que ela seja não acredita que a maldade seja gratuita, mas que há sempre uma explicação para a ela. vive (aquilo que crê ser) 1/4 da vida a acreditar nesses princípios. e noutros constrói o que pensa serem relações cordiais, senão de amizade com uns e outros, perfeitamente consciente dos seus defeitos e de que pode apostar nessa amizade porque os defeitos do indivíduo são perfeitamente suportáveis, dadas as qualidades. vive 1/4 da sua vida (assim espera!) a guardar os melhores e a esquecer-se dos piores. porque senão a vida torna-se mesmo insuportável e o melhor é esconder-se na gruta mais próxima e tornar-se eremita a pessoa tem perfeita cosnciência de que tem o chamado "feitiozinho" e que não é santa. no entanto, pressupõe que quando se aproxima de alguém e a relação se vai consolidando, o outro  parte do mesmo princípio: não acredita na minha perfeição ou ausência de...

Questões Fundamentais

Será possível sofrer de demasiado a empatia?

as botas

calcei hoje as botas. as minhas. pela primeira vez este ano esteve frio suficiente para elas. e, percebi há pouco, reuni a coragem necessária para calçar as minhas botas. tenho outras, que são minhas, que eu escolhi, mas que nunca foram confortáveis o suficiente para serem realmente, as minhas botas. tenho umas outras que me deram e que, apesar de confortáveis, têm as marcas de outros pés que, apesar de bastante familiares, não são os meus. portanto, não são verdadeiramente as minhas botas. há outras, que também me deram, novas. ainda não são minhas e acho que não serão: não as escolhi. serão sempre as botas que x me ofereceu. estas, as que trago agora, são minhas. só os meus pés as pisaram. estão todas escalavradas e não devem aguentar até ao fim do inverno, pensamento que me aflige. a última vez que usei estas botas, a minha vida era t...

a raiva também me chega

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A melhor e mais eficaz arma que temos (nós cidadãos sem acesso ao poder; sem cunhas; sem tempo de antena; sem partidos por trás; sem favores para fazer a ninguém, porque ninguém os quer; sem dever favores, porque não os pedimos ou não conhecemos sequer ninguém que os possa fazer, portanto, cerca de 95% da população) ao nosso dispôr é protestar e boicotar.  Quanto à primeira é difícil, pelas razões acima explicitadas, fazê-lo de forma individual e isso ser visível ou eficaz. Resta-nos portanto a segunda: boicotar.  É uma forma que arranjei para me vingar, de forma pessoal, daquilo que considero atrocidades, atropelos aos direitos ou à Constituição que os consagra, desonestidade (de todas as espécies), manipulação ou pura e simplesmente filha da putice.  A partir de hoje, estou em boicote à Sábado e farei por divulgá-lo e arrecadar adeptos.  A falta de pudor chegou longe demais e se nos políticos da oposição (e a partir de hoje Rebelo de Sousa entra ne...

Talentos....

Se houvesse um campeonato de partir espremedores de esfregona e encaixes de tampas de sanita, eu ganhava
andei a vasculhar o blogue velho, o avô deste "coisas". eu era outra. e a vida também, é certo. os sinais andavam por lá. nalgumas alturas. lembrei-me de um monte de coisas que me tinha esquecido. inclusivamente do quão divertida posso ser. ou podia. será que volta? a impulsividade da escrita? o disparate discorrido em meia dúzia de minutos?